Consórcio imobiliário vale a pena? Entenda os riscos antes de comprar um imóvel

Consórcio imobiliário vale a pena? Entenda os riscos antes de comprar um imóvel

Comprar um imóvel por meio de consórcio pode parecer uma alternativa atraente para quem deseja fugir dos juros tradicionais de um financiamento.

É comum encontrar ofertas destacando parcelas acessíveis, ausência de juros e a possibilidade de conquistar a casa própria de forma planejada.

Mas existe uma pergunta que precisa vir antes da contratação:

Você realmente entendeu como o consórcio funciona e quanto ele poderá custar ao longo do tempo?

Consórcio não é financiamento e também não deve ser tratado como investimento. Existem regras próprias para contemplação, taxas, reajustes e utilização da carta de crédito.

Antes de assumir um compromisso que pode durar muitos anos, é importante compreender exatamente o que está sendo contratado.

Como funciona um consórcio imobiliário?

O consórcio reúne pessoas que contribuem periodicamente para formar um fundo destinado à aquisição de bens ou serviços.

No caso imobiliário, o participante integra um grupo administrado por uma empresa autorizada a operar nesse mercado.

Ao longo do plano, os participantes podem ser contemplados por sorteio ou lance, conforme as regras estabelecidas no contrato e na regulamentação aplicável.

Quando contemplado e atendidas as condições previstas, o consorciado poderá utilizar a carta de crédito para aquisição do imóvel.

O ponto fundamental é:

entrar no consórcio não significa receber imediatamente o dinheiro para comprar o imóvel.

A contemplação poderá acontecer em diferentes momentos durante a duração do grupo.

Consórcio imobiliário tem juros?

Essa é uma das principais chamadas utilizadas na comercialização desse produto.

Em regra, o consórcio não funciona com juros remuneratórios como aqueles tradicionalmente associados a um financiamento bancário.

Isso não significa, porém, que o consórcio não tenha custos.

As prestações podem envolver componentes como:

  • fundo comum;
  • taxa de administração;
  • fundo de reserva, quando previsto;
  • seguro, quando contratado ou previsto;
  • outros valores admitidos e devidamente estabelecidos no contrato.

Por isso, avaliar apenas a frase “sem juros” pode produzir uma percepção incompleta sobre o custo da operação.

Antes de contratar, observe o valor total previsto, a taxa de administração e os demais componentes da prestação.

A parcela do consórcio pode aumentar?

Sim, conforme as regras de atualização previstas no contrato.

Esse é um ponto que merece atenção especial.

Em um plano de longa duração, o valor da carta de crédito pode ser atualizado segundo o critério estabelecido contratualmente. Essa atualização pode refletir também nas contribuições necessárias para manter o poder de compra do grupo.

Isso significa que a parcela apresentada no momento da contratação não deve ser automaticamente interpretada como um valor fixo até o final do consórcio.

Antes de assinar, procure identificar:

  • qual é o critério de atualização da carta de crédito;
  • com qual periodicidade ocorre o reajuste;
  • como a atualização interfere nas parcelas;
  • quais outros valores também podem sofrer alteração.

Uma parcela que cabe confortavelmente no orçamento hoje pode representar um compromisso diferente alguns anos depois.

A carta de crédito também é reajustada?

O objetivo da atualização da carta de crédito é preservar, conforme as regras do grupo, sua capacidade de aquisição ao longo do plano.

Esse mecanismo é importante porque um imóvel que custa determinado valor hoje poderá ter outro preço no futuro.

Porém, o consumidor precisa compreender que a atualização do crédito e a evolução das contribuições fazem parte da mesma estrutura contratual.

Por isso, analisar apenas o valor inicial da carta ou da parcela não é suficiente.

É necessário compreender como o plano se comportará ao longo dos anos.

Posso entrar em um consórcio pensando em ser contemplado rapidamente?

A contemplação pode ocorrer por sorteio ou por lance, de acordo com as regras do grupo.

O problema aparece quando a decisão de compra é baseada na expectativa de uma contemplação rápida que não está garantida.

Se uma pessoa precisa comprar um imóvel dentro de poucos meses, por exemplo, essa necessidade deve ser considerada antes de optar pelo consórcio.

Também é importante compreender as modalidades de lance previstas no contrato e de que maneira sua utilização pode afetar o planejamento financeiro do participante.

Uma estratégia baseada exclusivamente na expectativa de contemplação pode não acontecer no prazo desejado.

Fui contemplado. Posso comprar qualquer imóvel imediatamente?

A contemplação é uma etapa fundamental, mas não significa necessariamente que o valor será simplesmente entregue ao consorciado sem outras verificações.

A administradora poderá analisar documentos e exigir o cumprimento das condições previstas para liberação e utilização do crédito.

Também poderão existir procedimentos relacionados ao próprio imóvel e às garantias da operação.

Por isso, quem pretende adquirir um imóvel específico deve verificar previamente se a operação pretendida atende às regras do consórcio.

A contemplação e a efetiva utilização da carta de crédito são momentos que precisam ser compreendidos separadamente.

Consórcio é investimento?

Esse é um cuidado conceitual importante.

O consórcio é um instrumento destinado à aquisição planejada de bens ou serviços por meio de autofinanciamento coletivo.

Isso é diferente de um investimento financeiro cuja finalidade principal é gerar rentabilidade sobre o capital aplicado.

É possível que determinadas estratégias comerciais apresentem o consórcio como uma forma de “investir em patrimônio”, mas isso não elimina sua natureza nem os custos e obrigações envolvidos no contrato.

Se a intenção principal é investir dinheiro e buscar rentabilidade, a comparação deve ser feita com produtos financeiros adequados a esse objetivo, considerando risco, liquidez e retorno.

Consórcio ou financiamento: qual é melhor para comprar um imóvel?

Não existe uma resposta que seja correta para todas as pessoas.

No financiamento, o comprador normalmente obtém os recursos para adquirir o imóvel no início da operação e assume uma dívida que será paga ao longo do tempo.

No consórcio, existe a necessidade de contemplação para utilização da carta de crédito, observadas as condições contratuais.

Essa diferença altera completamente o planejamento.

De maneira simplificada:

Financiamento: pode permitir a aquisição imediata do imóvel, mas envolve os custos da operação de crédito.

Consórcio: não possui a mesma estrutura de juros remuneratórios do financiamento, mas possui taxas, regras de atualização e incerteza quanto ao momento da contemplação.

A escolha deve considerar não apenas “qual parcela é menor”, mas principalmente o objetivo e o prazo de quem pretende comprar o imóvel.

| Atrasei o financiamento do imóvel: quanto tempo tenho antes de perder o imóvel?

O que analisar antes de contratar um consórcio imobiliário?

A contratação pode representar um compromisso financeiro de longo prazo. Por isso, alguns pontos merecem atenção antes da assinatura:

  • prazo total do grupo;
  • valor inicial da carta de crédito;
  • critério e periodicidade de atualização;
  • valor e forma de cobrança da taxa de administração;
  • existência de fundo de reserva;
  • seguros e outros custos previstos;
  • regras para sorteios;
  • modalidades e condições dos lances;
  • requisitos para utilização da carta após a contemplação;
  • garantias que poderão ser exigidas;
  • regras para desistência ou exclusão;
  • condições para restituição de valores;
  • multas e demais penalidades contratuais.

Também é importante verificar se a administradora está autorizada a funcionar pelo Banco Central.

Não contrate considerando apenas a simulação apresentada pelo vendedor. Leia as condições que efetivamente constam do contrato.

E se eu desistir do consórcio?

Esse é outro ponto que deve ser compreendido antes da contratação.

Desistir não significa necessariamente receber imediatamente tudo o que já foi pago.

As regras para restituição dos valores dependem da legislação aplicável e das condições do grupo, e podem existir descontos e procedimentos específicos para participantes desistentes ou excluídos.

Por isso, as cláusulas relacionadas à saída do grupo precisam ser analisadas antes da assinatura, e não apenas quando surge uma dificuldade financeira.

Um contrato de vários anos deve ser avaliado considerando também a possibilidade de mudanças na situação financeira do participante.

A promessa do vendedor é diferente do contrato. O que fazer?

Informações fornecidas durante a oferta também podem ser juridicamente relevantes.

Se foram prometidas condições que não correspondem ao funcionamento real do produto, é importante guardar os materiais utilizados na contratação.

Isso pode incluir:

  • anúncios e propostas comerciais;
  • conversas por aplicativos de mensagens;
  • e-mails;
  • simulações;
  • comprovantes de pagamento;
  • gravações ou protocolos de atendimento, quando existentes;
  • contrato e regulamento do grupo.

Esses documentos podem ser importantes caso posteriormente exista uma divergência entre aquilo que foi apresentado ao consumidor e o que efetivamente foi contratado ou executado.

| Seu contrato bancário pode estar aumentando sua dívida. Saiba quando ele pode ser revisado.

Então, consórcio imobiliário vale a pena?

Pode fazer sentido para determinados perfis e objetivos.

Mas a decisão não deveria ser tomada simplesmente porque “não tem juros” ou porque a parcela inicial parece menor do que a de um financiamento.

É necessário avaliar o conjunto da operação:

quanto será pago, como os valores serão reajustados, quanto tempo você pode esperar pela contemplação e quais são as regras para utilizar o crédito.

Um contrato de longo prazo precisa caber não apenas no orçamento atual, mas também no planejamento financeiro de quem está assumindo a obrigação.

Está pensando em contratar um consórcio para comprar um imóvel?

Antes de assumir um compromisso de longo prazo, compreender as cláusulas do contrato pode evitar surpresas relacionadas a reajustes, taxas, contemplação e utilização da carta de crédito.

Se você já contratou e encontrou divergências entre o que foi oferecido e o que está sendo cobrado ou executado, os documentos da contratação também precisam ser analisados.

Entre em contato com nossa equipe para analisar o seu caso.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
Email